Herança genética de meu pai colecionador de selos, moedas, notas, cartões postais, chaveiros, caixinhas de fósforo (!?), canecas de chope, xícaras de café de bares e hotéis, objetos diversos com o símbolo do Corinthians e recortes de jornais com eventos que achava curiosos, ou mania de bibliotecária, simplesmente adoro coleções.
Talvez todo mundo goste, na verdade, e quem é bibliotecário culpe a profissão de costas largas por um gosto inocente comum a toda a humanidade, que não tem mais tanta necessidade de acumular alimentos para o inverno, mas conservou o hábito de guardar. Poucos conseguem acumular fortunas – ou colecionar notas de 50, como dizia meu pai – mas qualquer um pode juntar cacarecos, classificá-los, guardá-los em caixinhas e se apaixonar por eles. Até minha mãe, que não simpatizava lá muito com as coleções do marido, guardou com carinho as medonhas tralhas corintianas.
Não tenho muitas, por falta de tempo e espaço. Guardei as pedras que colecionava na infância e trouxe para minha casa a coleção de moedas do velho, depois que ele morreu. A coleção de postais também é minha, mas deixei na casa da minha mãe até arrumar um lugarzinho. Vai ser difícil, a vida moderna e urbana não é muito compatível com coleções. Se não controlar o impulso colecionista, vai faltar espaço em casa para roupas, sapatos, pacotes de arroz e caixinhas de molho de tomate.
Também tenho uma pequena e perigosamente crescente coleção de casinhas – aquelas miniaturas de lojas de souvenir – que trago das viagens. Estou sempre prometendo não começar mais nenhuma, até porque meu companheiro, outro bibliotecário, adora juntar todo o tipo de bagulhos e também tem suas prósperas coleçõezinhas. E não joga fora frascos de perfume nem rolhas de garrafas de vinho.
O problema é que a coisa começa meio sem querer, vai se instalando de mansinho. Uma lembrancinha hoje, uma coisa graciosa que não dá para jogar no lixo que seria o lugar dela e pronto. Quando você vê, já começou uma coleção. Postais de propaganda de filmes, mas só de filmes brasileiros. Se você inventa um critério, já tem uma coleção, não adianta negar. E ingressos de museus, aqueles lindos ilustrados com uma obra do acervo, como jogar fora?
Costumo doar roupas e sapatos que não uso mais, bijuterias jamais. Guardo tudo. O que é isso? Coleção, claro. E já tenho até uma subcoleção de brochinhos ou “pins” que vou comprando em museus e pontos turísticos e às vezes nem uso, com medo de perder!
Ainda no capítulo cinema, gosto de comprar os catálogos da Mostra de Cinema de São Paulo. Legal, são ótimas fontes de informação sobre filmes, bonitos e especiais, com papel cheiroso. Mas de uns 3 anos para cá comecei a comprar também os bloquinhos de anotações da Mostra e ainda não usei os dois últimos. Perigo à vista.
Comecei a guardar também ingressos de cinema, só para não esquecer o título dos filmes assistidos. E contar quantos filmes vi no cinema durante o ano, escolher os melhores, brincar de lembrar quem eram os atores, essas coisas. A ideia seria jogar fora no final do ano, depois de feitas as estatísticas todas, mas não foi isso o que aconteceu. Já tenho 3 pacotinhos encerrados e um quarto em aberto, o de 2011. Descobri que vejo uns 65 filmes por ano, gosto muito de uns 30, não gosto de 25, apago quase que totalmente da memória o resto e não descarto as drogas dos ingressos. Interessante, não? E faço o quê com essas informações todas? O mesmo que a gente faz com os dados estatísticos que recolhemos aplicadamente em nossas bibliotecas, nada.
Para poupar espaço (outra obsessão de bibliotecários) resolvi informatizar (mais uma) essa coleção criando listas na Internet Movie Database. É divertido, a gente lê os resumos, vê as fotos e recria em sua própria casa um dos fantasmas preferidos dos bibliotecários: pendências de processamento! Agora já tenho 90 por cento do pacotinho de filmes de 2008 listados, e mais dois a processar. Para não falar das pastas de fotos de viagens que ainda precisamos, eu e o outro maluco, selecionar, tratar e publicar no Flickr. A internet, definitivamente, só faz piorarem certas doenças.

Oi Marina, eu também coleciono um monte de tranqueiras: bolsas, bijus, galinhas em miniatura... como disse a Silvinha-minha-amiga, eu moro na Cacarecolândia. Bjs.
ResponderExcluirGalinhas em miniatura? Dina, vc ganha qualquer concurso de coleções bizarras. Imbatível. Mas vc não devia ter me contado, agora vou ficar procurando galinhas pra te dar de presentes...
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