sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Dia de melancolia

A biblioteca organiza uma exposição. No dia da abertura acontece um debate relacionado ao tema. Uma das bibliotecárias que trabalhou na organização da exposição faz a abertura do evento anunciando os professores que vão compor a mesa, e a isso se resume o papel da biblioteca. Na mesa não há bibliotecários.

A colega mestre de cerimônia explica que a biblioteca “agrega valor” a um título de periódico quando o cadastra no Dédalus. Que melancólico.

Os professores discorrem sobre o tema para uma plateia composta quase que exclusivamente pelo pessoal da biblioteca. Além deles, há o representante discente na Comissão de Biblioteca e mais alguns funcionários de outros setores, que estão lá cuidando do som, da transmissão etc. Duas bibliotecárias diretoras vindas de outras unidades também compareceram, por gentileza ou amizade, talvez. Sua presença não foi anunciada nem agradecida.

Todos os professores, naturalmente, enaltecem o trabalho da biblioteca e elogiam o trabalho que motivou a exposição, embora alguns cobrem discretamente a continuidade e a ampliação da coisa. É sempre assim: está bom, mas poderia ser melhor; ótimo, mas deveria ter sido feito antes; muito bem, mas e agora?!

Os debatedores tocam em temas muito interessantes, que renderiam ótimas discussões sobre o papel da biblioteca na instituição. Uns dois professores têm outro compromisso e precisam sair logo, as exposições se estendem até o horário previsto para a abertura da exposição. Quando o último docente termina suas considerações a plateia começa a se mexer para ir embora. A simpática professora que preside a mesa lembra-se de perguntar se alguém teria uma pergunta, por desencargo de consciência.

Peço a palavra e faço um comentário. É um velho hábito que ainda não perdi, mas estou trabalhando nisso. Uma das professoras parece não gostar e responde como se eu tivesse dito algo que de fato não disse. Tenho a impressão de que ela não me entendeu, mas não há mais tempo para esclarecimentos, o “debate” está encerrado e ninguém está preocupado com nada. Para variar, fui inconveniente.

Preciso aprender a ficar no meu lugar, mas como, se esse lugar parece não existir?

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