sexta-feira, 5 de agosto de 2011

O Sistema

A diretora de uma das bibliotecas da USP enviou para os demais dirigentes de bibliotecas mensagem manifestando preocupação com o que considera pouca participação nos Fóruns de Debates dos 30 anos do SIBi/USP. No seu entender, isso demonstraria fraqueza do sistema e desunião entre os colegas.

Outras diretoras se manifestaram, concordando ou discordando, inclusive a diretora técnica do SIBI, que fez diversas considerações e enviou um relatório da frequência aos eventos, que considerou significativa.

De fato, não tenho como avaliar essa participação. Não tenho ido aos ditos fóruns porque discordo da idéia de comemorar os 30 anos do SIBi, algo construído fundamentalmente pelo trabalho dos bibliotecários e demais funcionários da bibliotecas, sem dar voz a esses trabalhadores. Apenas professores e profissionais de fora da Universidade foram convidados a fazer essas palestras que nós supostamente deveríamos prestigiar. Porque os eventos teriam que ser de “alto nível”, explicação que ouvi numa reunião lá no DT-SIBi. Tudo bem, mas não contem comigo para aplaudir e sorrir. E tenho certeza de que muitos outros colegas pensam como eu, embora não fiquem dizendo isso por aí e escrevendo em blogs. Também devo confessar que participar de eventos de caráter predominante social não é minha prioridade. Preciso fazer cursos e treinamentos, acompanhar eventos da minha área específica de atuação, das áreas da unidade onde trabalho etc. Como muitos de meus colegas.

A mensagem da diretora de biblioteca lembra um pouco uma situação que já vivi diversas vezes ao longo da minha “carreira” na USP. A biblioteca chama um professor para fazer uma palestra, por exemplo, e não aparece ninguém além de um ou dois orientandos com ar preocupado. Apesar de toda a divulgação e de todo o tempo investido na preparação do evento. Para não passar vexame, a chefia convoca os funcionários da biblioteca para “fazer número” e prestigiar o pobre convidado. Quem já não passou por isso?

Não acredito na fragilidade de um sistema no qual as pessoas têm tanta disposição para reclamar, criticar, defender, mandar mensagens e discutir, chegando até a aborrecer alguns colegas que já se cansaram de tanto debate. O silêncio e a indiferença seriam piores. Neste exato momento já temos um bando de diretoras, incluindo a do SIBi, fazendo propostas, planejando ações e trocando animadas mensagens. Chega a ser divertido acompanhar a movimentação das “meninas”.

Qualquer sistema acaba se enfraquecendo quando seus integrantes sentem que não têm importância no quadro geral, nem qualquer influência nos processos de decisão. Mas, se vocês querem saber, nem isso me preocupa em relação ao SIBi porque nós, bibliotecários e outros técnicos que ralam em bibliotecas, já estamos perfeitamente aclimatados a esse papel. Somos funcionários da USP, sabemos como é a vida acadêmica e seguimos trabalhando, desprezando quem nos despreza.

Bibliotecários pelo menos têm o prazer, ao contrário de muitas outras categorias de trabalhadores na USP, de ver o resultado concreto de seu trabalho. Nem sempre é o que gostaríamos, mas está ainda está vivo. E pur si muove.

3 comentários:

  1. Sempre que vejo a relação de palestrantes desses eventos patrocinados por bibliotecários ou por bibliotecas fico me perguntando a razão de não haver bibliotecários nas mesas.

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  2. Seria cômico se não fosse trágico...

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  3. Concordo plenamente. São assuntos que não irão mudar o meu cotidiano.

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