sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Dia de troca de experiências


Resolvi participar do Congresso dos Profissionais das Universidades Estaduais de São Paulo (CONPUESP). Cutuquei alguns colegas, vamos, vamos fazer um pôster cada um. Fizemos.

Parecia interessante. Afinal, como nosso empregador raramente quer saber de nós e de nosso trabalho, por que não aproveitar a oportunidade? Troca de experiências profissionais sempre é algo positivo. O SIBi fez isso uma vez, na época em que o SIBi pensava que o trabalho dos bibliotecários poderia ter algum interesse e foi um evento muito simpático, democrático e produtivo. Eu mesma não pude aproveitar a oportunidade de me exibir pros colegas, porque uma série de coincidências e acasos não deixou a informação chegar até mim em tempo, mas ninguém perdeu muita coisa com isso.

O pessoal que organizou o CONPUESP talvez não esperasse tantos pôsteres inscritos. Mas com tão poucas ocasiões de mostrar seu trabalho, meio mundo funcional universitário resolveu mandar pôster. Não sei se a organização do evento não deu conta de selecionar os trabalhos ou se decidiu aprovar todos, mas o resultado de tanta abundância foi um oceano de cartazes pendurados lado a lado no Memorial da América Latina. O espaço entre um e outro era não exíguo que, se os funcionários quisessem cumprir à risca a solicitação da organização de permanecer ao lado do pôster para responder a eventuais perguntas, não seria possível a circulação do público que supostamente faria perguntas.

No corredor onde fiquei não cabiam nem os próprios donos dos trabalhos. Em outras salas havia mais espaço, mas o calor das lâmpadas não facilitava muito o compartilhamento de experiências.


Alguns participantes tiveram a sorte de ter um lugar para sentar sob seus pôsteres, mas ficaram parecendo fila de ônibus no horário de pico.

Para piorar, a divisão em eixos temáticos muito genéricos acabou dispersando assuntos semelhantes, o que prejudicou muito a troca de informações. Alguém há de ter trocado pelo menos aquilo que antigamente se chamava cartões de visita (imaginem), porque não havia espaço para muito mais do que isso.

A impressão geral do Congresso era de que os funcionários continuavam no lugar que as universidades destinam a eles. Um lugar apertado, sem visibilidade nem relevância, mas com muito espaço em volta disponível para tudo o que tem importância acadêmica.

E, no entanto, havia uma quantidade impressionante de trabalhos tentando ser mostrados. Funcionários trabalham, ora vejam. E pensam, e produzem. Trabalhos muito bons, outros fraquinhos, projetos grandes ao lado de procedimentos modestos implantados num setor sem charme universitário nenhum. Não importa. O que vale é que sempre tem alguém em algum lugar tentando melhorar alguma coisa.

Não vi as palestras. Não tenho muito tempo sobrando para temas dignos de revistas que a gente folheia no cabeleireiro, como “Você é do tamanho dos seus sonhos”. Ou para ouvir um ator explicar a diferença entre fama e sucesso, prefiro abrir um dicionário.

Uma imagem do primeiro dia, o mais turbulento, me impressionou. Em meio à balbúrdia geral de funcionários andando de um lado para o outro reclamando da falta de café e de espaço, uma moça de blaser e salto alto se mantinha ereta ao lado de seu pôster, como havia sido recomendado. Era a única naquela sala. Séria e bem penteada, à espera das perguntas, totalmente imbuída de suas responsabilidades. Seu trabalho parecia bom, mas não fui capaz de fazer nenhuma pergunta, que pena.

No segundo dia, minha vizinha me pede para fotografá-la, sorridente, ao lado de seu pôster. Depois batemos um papinho. Foi um prazer ver o orgulho dessa funcionária explicando seu trabalho, e o carinho que ela parecia ter pelos colegas e subordinados.

Gente assim merece mais.

Tenho certeza de que o pessoal que organizou o CONPUESP, que devem ser funcionários como nós e uns professores bem intencionados, não pensou em fazer algo ruim ou inócuo. Espero que os próximos sejam diferentes. Sou até capaz de fazer de novo um pôster e me plantar ao lado dele, de tênis e cara de tédio, como sempre. E que me desculpem os ressentidos e complexados, mas vou novamente cutucar os colegas para, da próxima vez, a biblioteca onde trabalho mostrar não apenas quatro, mas uns dez trabalhos.

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