Como é do conhecimento geral, o SIBiUSP está completando 30 anos. Temos mais ou menos o mesmo tempo de USP, o SIBi e eu, mas contando o tempo de estudante sou mais velha.
Quando o Sistema foi implantado eu trabalhava na antiga Biblioteca Central, que virou Departamento Técnico. Não era um lugar muito ameno para se trabalhar, minha chefe chamava minha atenção se eu olhasse muito pela janela e nós, as estagiárias, não podíamos usar o banheiro dos funcionários. Era só uma questão de hierarquia, de cada um conhecer o seu lugar. Usávamos o banheiro público, onde não havia papel higiênico. Reivindicamos delicadamente que a USP nos fornecesse ao menos essa comodidade, e fomos atendidas. Cada uma ganhou seu próprio rolinho. Não sei se era igual ao papel dos funcionários, mas devia ser.
Quando o SIBi foi criado, a outra estagiária e eu havíamos acabado de sair de nossa primeira greve na Universidade. Só nós duas em todo o prédio da Reitoria Velha, vejam que gracinhas. A gente achava que greve era assim. Todo mundo dizia que seríamos demitidas, mas não fomos. Imagino que Dinah Población, primeira diretora do Sistema, tenha ficado com pena das tontinhas das estudantes.
Mas a ideia não é falar de greves nem de mim, porque o momento é sistêmico.
Depois de vários debates comemorativos onde os bibliotecários foram apenas plateia, dizem que não muito calorosa, chegou a hora da festa. No dia 6 de outubro teremos uma cerimônia comemorativa e um coquetel, para o qual estão sendo convidados o diretor de cada unidade, o presidente da Comissão de Biblioteca e dois participantes das bibliotecas. As diretoras das Bibliotecas e suas substitutas, se houver algum menino me desculpe, são candidatos naturais a representarem suas equipes em tão seleta ocasião.
A peonada fica de fora. Bibliotecários e técnicos não participam de coquetel. Todos nós fazemos o Sistema na hora de trabalhar, mas na hora da festa alguns são mais sistema do que os outros.
Mas claro, diriam algumas colegas mais finas do que eu, não dá para comprar espumante nacional razoável e canapés para uma multidão. Mas que multidão? Pelo que me lembro, comemorações desse tipo nunca atraem muita gente. Uma parte dos funcionários trabalha à noite, muitos não gostam dessas coisas, muitos não poderiam ir por causa do local e de outros compromissos. Se todos fossem convidados para a festa seria mais bonito e provavelmente o número de pessoas não seria muito maior. Mas talvez seja apenas uma questão de hierarquia, cada um tem que conhecer o seu lugar.
Em outras ocasiões já tivemos festinhas do SIBi abertas a todos, cujos comes e bebes foram muito elogiados. Na ECA já fui a comemorações abertas a toda a comunidade, bagunçadas e cheia de alunos. Tive que sair de uma dessas porque estava com fome e não conseguia chegar perto dos garçons, sempre cercados de estudantes famintos. E daí? É só comer um sanduíche antes da festa e ter espírito democrático que dá tudo certo.
Em outros tempos eu proporia uma comemoração paralela, meio na linha do famoso “churrascão dos diferenciados” em Higienópolis. Cada um traria um pratinho ou uma bebida e faríamos nossa festa na prainha dos alunos, talvez com a presença dos próprios. Que tal? Empadinha de padaria, espetinho de linguiça passado na farinha, batata frita, refrigerante sem gelo e suco de caixinha? E bolo de cenoura com cobertura de chocolate feito pelas bibliotecárias mais prendadas? Em outros tempos poderia ser muito divertido, mas acho que já estamos todos um pouco velhos.
O melhor a fazer é ir trabalhar e cuidar dos usuários, enquanto ainda os temos.
sábado, 1 de outubro de 2011
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"O baile da corte" retrata o fim do prestígio das iniciativas ligadas ao trabalho técnico, dos bibliotecários preocupados com as bibliotecas e com os usuários do dia a dia. Termina o ciclo dos bibliotecários de carreira que evoluiram com a tecnologia, juntamente com as equipes interessadas. O texto marca o início de...de que mesmo? Só aguardando os próximos bailes...
ResponderExcluirA ver, Nelsita. Que vai ser de nós que aqui ficamos quando todas as Nelsitas estiverem aposentadas?
ResponderExcluirPara convidar os participantes do sistema foi aplicado a Teoria da Seleção Natural de Darwin.
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