Alguns bibliotecários parecem morrer de medo das redes sociais.
Vejo muitos colegas usando animadamente esse recurso, tanto no exercício profissional, quanto na militância, na vida pessoal e na fronteira disso tudo, esse espaço flutuante que aumenta a cada dia. Os estudantes de biblioteconomia, então, fazem a festa. Professores e bibliotecários que "orientam" estagiários deviam prestar mais atenção no Twitter para entender alguns fatos da vida.
Mas alguns colegas têm medo mesmo. Sentimento que ninguém gosta de admitir, vem com vários disfarces. O desdém, por exemplo: isso é bobagem, coisa de adolescente. A eterna sobrecarga de trabalho: NÃO TENHO TEMPO para essas coisas. Que coisas? Ah, essas coisas aí. A explicação vem acompanhada por gesto vago de espantar algo com a mão. Dificuldades elementares com tecnologia fazem com que o uso de aplicativos simples vire uma operação demorada e assim, realmente, não há tempo que chegue.
Meu predileto é o grande clássico do imobilismo, o disfarce do planejamento: isso não é assim, é preciso ter critérios, políticas, regulamento, formulários, fluxos de trabalho, procedimentos, levantamento de necessidades "através" de questionários, metas quantitativas e qualitativas e estudo preliminar a ser aprovado pela Comissão de Biblioteca. Quem não quer se mexer gosta muito de usar a necessidade do planejamento, que nunca executa porque não sabe, como desculpa para brecar qualquer iniciativa de movimentação.
Tudo conversa. Esse pessoal tem é medo.
E o pior é que não é nem o medo da novidade são os mesmos velhos medos e dificuldades de sempre. Medo de não conseguir produzir uma frase com 140 caracteres sem erros gramaticais. Horror à informalidade: quem só consegue escrever "Prezados senhores, venho por meio da presente mensagem informar que" não vai fazer muito sucesso nas redes sociais. Medo de que os usuários critiquem e reclamem da biblioteca, e de não saber responder às críticas e reclamações. E o bom e velho medo de não saber o que dizer que assola eternamente as mentes pouco criativas.
E há também o pânico de perder o controle ao democratizar minimamente as relações entre a equipe e os usuários. Para fazer um trabalho minimamente interessante com redes sociais, não dá para submeter tudo à aprovação da chefia, certo? Ainda que existam critérios pré-definidos e que sejam tomados os cuidados obviamente necessários, é preciso deixar as pessoas mais ou menos livres para falar pela biblioteca, situação que assusta personalidades autoritárias. E atenção, personalidades tímidas, autoritárias e conservadoras são muito comuns na profissão, e não são raros os bibliotecários que combinam as três características. É possível que a profissão atraia pessoas com esse perfil, e que encontram nos cursos de biblioteconomia um bom contingente de professores igualmente tímidos, conservadores e autoritários. Talvez seja por esse motivo que a comunicação com os usuários é sempre uma dificuldade em tantas bibliotecas.
Se é difícil para as pessoas mais velhas acompanhar as mudanças mais ou menos frenéticas que estão acontecendo nas formas de comunicação e interação entre as pessoas, imaginem para instituições mais ou menos pesadas como são as bibliotecas, onde tudo é difícil, tudo demora e precisa de carimbo. Seria mais fácil se os mais velhos se dignassem a abrir caminho para os mais jovens e, quem sabe, aprendessem um pouco com eles.

Redes Sociais são perigosas porque não são hierarquizadas e privilegiam a colaboratividade. Só essas duas características já são fortes o suficiente pra que cause desgosto em muita gente...
ResponderExcluira melhor coisa que as redes sociais propiciaram ao trabalho bibliotecário foi a oportunidade de um experimentalismo: se der certo, ótimo. se não der, tentamos.
ResponderExcluirsó não vale o investimento pra quem tem impedimento em relação ao experimental.
As redes já dão certo, até aqui sim! Salve as redes! amanhã não sabemos, porque o amnhã não vivemos ainda. Qualquer espaço sem a hierarquia que atravanca, sem as aprovações que discriminam já valeu a pena! As redes são o lugar onde ficamos nus!Mesmo não percebendo. Um viva a isso!
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